Iconografia – Comentário Simbólico

  Comentar sobre o princípio simbólico em um ícone, pode ser, às vezes, audacioso, isto, levando em consideração a sacralidade que um ícone conchega. Uma pintura iconográfica não é meramente uma pintura que tem como finalidade apenas o retratar de uma época ou de um momento. A pintura iconográfica tem em si a incumbência mística, como as parábolas de Jesus, de proporcionar a compreensão do mundo espiritual para a nossa capacidade de entendimento terreno, sendo assim, um instrumento de DEUS que, junto a arte e de maneira nobre, norteie os fieis que a visualizam à contemplação do ser absoluto.
O projeto iconográfico da Paróquia São Pedro, é Cristocêntrico. Jesus ocupa o eixo centra de toda pintura. Toda estrutura de fundo ao Cristo remonta a tons de cores em terra siena natural e tem a incumbência de indicar aos que contemplam a sua pequenez diante de Deus e lembrar-nos das soadas palavras do Livro do Gêneses: “Lembra-te que és pó e que ao pó hás de voltar”. (Gêneses, 3, 19).

O Cristo é apresentado sentado de corpo inteiro dentro de um grande Círculo Amarelo em aplicação rustificada. Tal posição divulga e toma como norma principal a revelação pictórica sacral do Cristo Pantocrator, (termo grego dado a Jesus, traduzido geralmente por “Onipotente”). O Cristo Pantocrator resplandece como o protagonista da nossa Liturgia e focaliza o ápice do Mistério Pascal, a Ressurreição.
O círculo grande trás consigo a promoção do encontro do nosso EU com o centro do círculo. Este encontro mostra nossa espiritual peregrinação em curso para centralidade que é o próprio Deus criador de todas as coisas na pessoa de Cristo, imagem do Pai. “Quem me vê, vê também aquele que me enviou” João 12, 45.
Dentro do círculo plainam “sete estreas” e “sete lamparinas acesas”. As estrelas, (lado direito do Cristo); representam os sete elementos da natureza: terra, agua, ar, fogo, fauna, flora e homem. As sete lamparinas (lado esquerdo Cristo); ajuízam a simbologia judaico-cristã do equilíbrio e dos dons do Espírito Santo. Estes dons chamamos de: Ciência, Fortaleza, Conselho, Piedade, Sabedoria, Entendimento e Temor de Deus. Isaías 11, 2-3.
Ainda dentro do circulo, fora colocada uma passagem bíblica de grande significado na vida de Pedro, padroeiro desta Paróquia. A cena é inspirada no capitulo 5, 10-11, do evangelho de Lucas, onde é narrado o encontro de Jesus com Pedro a beira do lago de Genezaré, encontro que resultaria na missão de um dos santos mais emblemático dos cristianismo, São Pedro.
Mas Jesus disse a Simão: “não tenha medo! De hoje em diante você será pescador de homens”. Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo, e seguiram a Jesus.

O Cristo, veste túnica e manto Branco o puro Linha prescrito no Livro do Apocalipse, vestimenta esta que, representa o comportamento justo dos santos. Apocalipse 19, 7-8. Sobre seus ombros desdobra-se uma “Estola” (faixa sagrada sacerdotal), indicando o Sacerdócio supremo de Jesus. Também fazendo observação a instituição hierárquica eclesiástica com a missão de apascentar o povo de Deus. Tal instituição foi dada pelo Cristo Bom Pastor aos bispos e presbíteros pelo sacramento da Ordem. Isto vemos no (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, p. 65, 2005, Loyola).

A Estola vem na cor Vermelha e simboliza o martírio. Nas extremidade da estola destaca-se 0 “Alfa” e “Ômega”, que corresponde a primeira e a última letra do alfabeto grego. Numa tradução literal corresponde a letra “A” e “O”. Numa tradução adaptada, a Letra “A” e “Z” em alfabeto de língua portuguesa. Estas letras são tradicionalmente usadas na Igreja e traduz a expressão bíblica de Apocalipse 22, 13 “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim”.
Em sua mão esquerda é trazido o Livro dos Evangelhos. Nele a inscrição: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra eu edificarei minha igreja”. Mateus 16, 18. Esta inscrição, proferida pelo próprio Cristo, tem na teologia católica a adesão acerca da edificação da Igreja Cristão sobre Pedro, sendo este o primeiro Papa, humilde vigário que lideraria sua Igreja. Pedro, humilde servo que fora testemunho da Pedra Viva (Jesus Cristo) sobre o qual somos edificados tornando-nos também pedras que vivem.
“Aproximem-se do Senhor, a pedra viva rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. Do mesmo modo, vocês também, como pedras vivas, vão entrando na construção do templo espiritual, e formando um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais que DEUS aceita por meio de Jesus Cristo”. 1 Pedro 2, 4-5.
Em sinal de benção está à mão de Cristo. A junção dos dedos: “Indicador e Médio” traz consigo o sinal dogmático das duas naturezas de Cristo; a humana e Divina, Jesus 100% Deus e 100% home. “um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito em usa divindade e perfeito sua humanidade; verdadeiro DEUS e verdadeiro home, composto de alma racional e de corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, ‘semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado’ (Hb 4, 14); gerado pelo Pai antes de todos os séculos segundo a divindade e nesses últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus, segundo a humanidade”. (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, p. 45, 2005, Loyola).

Envolta a cabeça do Cristo está a Auréola. Esta, sobressaí as hastes da cruz. Em cada lado auréola: estão IC (lado direito) e XC (lado esquerdo); que corresponde ao anagrama grego do nome de Cristo. A auréola vem na cor Dourada. Na liturgia, tal cor tem o perfil da luz dourada do Sol, a luz de Deus. Qualquer figura exposta em tais cores representa a plena luz divina.

Outra evidência neste ícone é os estigmas nas mãos e nos pés de Jesus. E representa a Ressurreição.

Aos pés do Cristo foram colocados dois recipientes que trazem resinas e ervas aromáticas sobre carvões acessos purificando o ar do espaço sagrado onde reside o Cristo. O incensar promovido por estes, destina-se unicamente a Deus e nesta iconografia simboliza a nossa adoração e oração, fazendo jus as palavras proferidas pela Salmista: “Sua a minha oração como incenso à tua presença, minhas mãos erguidas como oferta vespertina!” Salmo 141-2.


Ladeando o Cristo estão os dois Santas que estão pela tradição da Igreja os pilares do Cristianismo, principais lideres da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor e zelo missionário. São Pedro e São Paulo.

São Pedro (lado esquerdo ao Cristo), que tinha o primeiro nome de Simão, era pescador, foi chamado pelo Cristo, seguiu ao mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro. Este Santo que é o padroeiro desta Paróquia.

São Paulo (lado direito ao Cristo), cujo nome era Saulo, era fariseu e perseguidor dos cristão. Converteu-se a fé cristã no Caminho de Damasco, quando o próprio Jesus Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Fora batizado e tornou-se missionário doutrinador e fundou muitas comunidades.

Neste painel iconográfico, São Pedro e São Paulo apresenta o Cristo Pantocrator o povo.
São Pedro, segura em sua mão as chaves do Reino do Céu: “Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu” Mateus 16, 19;


São Paulo, segura em sua esquerda um pergaminho. Símbolo das trezes Epístolas que escreveu, tornando-o conhecido como apóstolo dos gentios.

Ao Lado de cada respectivo Apóstolo estão duas “Videira”, pequeno arbusto que traz a representatividade da Igreja Corpo Místico de Cristo, aos cuidados deste célebres Santos da Igreja. A árvore tem grande simbologia nos evangelhos e isto vê bem expressivo no evangelho de João 15, 1-17. “Eu sou a verdadeira videira, e meu Pai é o Agricultor”. E tal simbologia comporta também as afirmações de São Paulo: “De fato, o corpo é um só, mas tem muitos membros; e no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo. Assim acontece também com Cristo. I Coríntios 12, 12”. A árvore traz todo este caráter e particularidade de cada fiel na participação desta Igreja que Cristo é a cabeça. Nesta iconografia, sob a luz de Cristo (centro desta iconografia), cresce nossa Santa Madre Igreja que como uma Árvore a beira do rio tem sua vida infalível sustentada no amor Dele por nós.

Por fim, que iconografia semeio no coração dos que contemplam a obra todo Mistério contido na mesma. E como parte de sua Igreja, sintam-se mais próximos de Jeus, fonte inesgotável de vida e iluminados por Ele que é luz do Mundo.

Por ser de expressão da Verdade, firmo presente pintura.

Antônio Batista de Souza Junior – Artista Sacro.

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